Monday, February 20, 2006

 

LITERATURA INGLESA P/ QUINTO ANO DE LETRAS - "JOHN KEATS"

Keats: fragmentos de uma vida
John Keats nasceu em Londres no dia 31 de Outubro do ano de 1795, sendo o filho mais velho de Thomas Keats e de Frances Keats, tendo como irmãos George (1797-1841), Thomas (1799-1818), Edward (1801-1802) e Frances Mary (11803-1889), mais conhecida por Fanny, e por quem o poeta desenvolve uma grande afectividade nos últimos anos da sua vida.

Com o seu irmão George e mais tarde o seu irmão Tom, frequenta a John Clarke’s School em Enfield, situada a uma dezena de milhas a norte de Londres. Este período compreende o anos de 1803 a 1811.

Durante este espaço de tempo muito acontece na vida de Keats. O seu pai morre em Abril de 1804, vitimado por um acidente de cavalo, e sua mãe volta a casar em Junho desse mesmo ano. Em consequência, ele e os seus três irmãos, vão viver para junto dos avós maternos, em Ponders End, Enfield. Em 1805 o seu avô morre em Março. John Keats, sempre acompanhado pelos seus irmãos, vai viver para Edmonton, novamente acompanhado pela sua avó materna.

No ano de 1810 é a vez de sua mãe morrer, vitimada pela tuberculose, doença que parece ser de família, pois também um dos seus irmãos morre da mesma doença, e também é esta a doença que vai ceifar a vida do jovem poeta.

Entre 1811 e 1815 é aprendiz de Thomas Hammond, que é um boticário-cirurgião em Edmont, e em 1814 escreve os seus primeiros poemas, que começam com Imitation of Spenser. Morre a sua avó em Dezembro, e em 1815 entra no Guy’s Hospital de Londres, onde pretender continuar com os seus estudos médicos.

Em 1816 é publicado o seu primeiro poema, o soneto O Solitude, no jornal Examiner. Passa no seu exame de boticário em Junho e visita o seu irmão Tom em Agosto. Entre Agosto e o fim desse ano há uma grande actividade poética, conhecendo ainda: Joseph Severn, Leigh Hunt, Benjamin Robert Haydon e Joseph Hamilton Reynolds.

O seu primeiro livro, intitulado Poems, é publicado no inicio do ano de 1817. No entanto, o poeta passa a maior parte do ano a escrever o seu romance poético Edymion, que vai desde o mês de Abril até Novembro. Ainda nesse ano visita a ilha de Wight and Margate, as cidades de Canterbury, Hasting e Oxford, conhecendo durante o processo Benjamin Bailey, como também, Charles Wentworth Dilke, Charles Brown, e no final do ano Wordsworth.

Entre Fevereiro e Abril do ano de 1818 escreve o poema Isabella, juntando-se ao seu irmão Tom em Teignmouth. Começa a escrever Hyperion, talvez em Outubro, vindo o seu irmão Tom a falecer em Dezembro, vitimado pela tuberculose. É ainda nesse ano que conhece a sua grande paixão, Fanny Brawne.

No ano de 1819 escreve os poemas que o colocam entre os poetas de língua inglesa, sendo eles: The Eve of St. Agnes, La Belle Damme sans Merci, as odes Psyche, Nightingale, Grecian Urn e Melancholy, escrevendo ainda, Lamia, The Fall of Hyperion e To Autumn.

Em Fevereiro de 1820 sofre uma grave hemorragia nos pulmões, que será o principio de uma doença herdada e que agora se estabelece. Segue para Itália com Joseph Severn, chegando a Roma em Novembro, onde espera encontrar melhores ambientes para a doença que o consumia.
A 23 de Fevereiro de 1821 morre. É enterrado três dias depois num cemitério protestante em Roma.
Keats e a sua poesia

O primeiro e mais óbvio facto que existe sobre Keats é a sua extrema juventude. A morte prematura de Keats, sempre foi alvo de muito estudo, pois em comparação a outros autores de Língua Inglesa, a sua vida foi demasiado curta e a sua produção poética demasiado “produtiva”; vida essa oposta à de Chaucer e Shakespeare, que viveram até aos seus cinquenta anos; à de Milton, que chegou aos sessenta e cinco; Yeats e Wordsworth morreram ambos aos setenta e três anos de idade. Por contraste, Keats, entre os seus vinte e um e vinte e quatro anos, publicou três volumes de poesia: Poems, Endymion e Lamia, Isabella, The Eve of St. Agnes e Other Poems, estes últimos contendo as cinco grandes odes e ainda Hyperion.

No entanto, apesar de toda a sua jovem produção poética, Keats começou tarde como poeta, havendo, em seguida, um progresso relativamente lento. Keats escreveu o seu primeiro poema aos dezoito anos, e produziu outras peças ocasionais nos próximos dois anos. Mas, só prosseguiu a sua carreira como verdadeiro poeta após ter completado o seu curso de aprendiz de boticário e cirurgião.

Todo o trabalho de Keats exibe uma grande variedade, tanto em quantidade como em qualidade. Existem mais de cento e cinquenta títulos[1], no entanto, devemos contar com o longo romance poético Endymion, que muitos dos críticos de Keats consideram ser um dos seus primeiros trabalhos, e que o próprio Keats, no prefácio ao referido poema, o caracteriza como sendo um produto da «great inexperience, immaturity, and every error denonting a feverish attempt, rather than a deed accomplished.»[2]. Este poema fala de uma personagem, que dá o nome ao próprio poema, que se apaixona por uma deusa desconhecida que o visita num dos seus sonhos. Apaixonado, a nossa personagem, rejeita o mundo real, preferindo divagar por entre cavernas, oceanos, e até pelo ar, procurando unir-se à sua amada deusa.

Existe também um ponto que deve ser focado, e que é aquele da personalidade de Keats. De um senso comum prático, Keats desenvolveu uma sabedoria e uma perspicácia extraordinárias. Como refere Jack Stinllinger, na obra já citada, é difícil colocar tudo isto numa palavra só, no entanto, todos aqueles que estudaram Keats se aperceberam da sua presença e do seu significado. É uma qualidade que prevalece nos incidentes da vida diária, como também nas suas cartas, e, obviamente, numa fonte de atracção para todos aqueles que o rodeavam. Mas Keats, para além de ser poeta, era também homem, e é neste ponto que Keats é melhor caracterizado, agora por John Jones[3], como sendo «...the dreaming man and the realist».

É também entre a realidade e o sonho que Keats e a sua poesia navegam. O sonho é, sem dúvida, a principal característica da poesia keatsiana. Várias são as formas de “sonho”, tanto como nome e verbo, como também as suas “visões” mencionadas em forma de nome e em forma de verbo. Exemplo deste tema, e como já foi referido anteriormente, é o poema Endymion. Mas, não é só neste poema que estes temas são referidos, eles também surgem em poemas como Lamia, Isabella e La Belle Dame sans Merci.
É neste jogo, nesta troca, entre a realidade e o sonho, entre o mundo ideal e o mundo real, entre o mundo inteligível e o mundo das sombras, havendo talvez um pouco da filosofia platónica, que a poesia de Keats evolui.
A poesia visionária de Keats também faz um extensivo uso de matérias mitológicas gregas. Apesar disso, a mitologia não convence em Endymion, onde uma visão onírica imatura, como jáfoi referido, acompanha o vaguear do poeta através de um reino vago mas sensualmente clássico, onde o ideal pode ser alcançado através da busca abnegada.

Apesar das críticas e da sua saúde em completo declínio, a sensibilidade de Keats passou por um espantoso processo de auto-educação, que lhe possibilitou a composição de odes mais amadurecidas, antes da sua morte por tuberculose. Ode to Psyche[4] apresenta uma linha de desenvolvimento, a interiorização do mito sendo o poeta o sacerdote da psique. Em Ode on a Grecian Urn relaciona o mundo da imaginação com a realidade mutável, por meios muito mais implícitos: a própria urna simboliza a arte; mas a sua imagem de uma procissão que esvazia a cidadela para assistir ao sacrifício tem uma profundidade menos fácil de medir. Tem a ver com a condução das coisas puramente naturais a uma conclusão sagrada, podendo ser dito que a urna consagra a Natureza.

Imagens como as de Ode on a Grecian Urn resultam da longa meditação de Keats sobre a arte visual, não apenas em obras simples, mas também no paganismo antigo, como é evocado em fontes tão diversas como as pinturas de Cláudio e os mármores de Elgin. Este método de indução do tom acentua a qualidade estática e emocionante das imagens, que, fortemente tácteis, dão-nos a impressão de momentos ou atitudes imobilizados. Keats tinha que captar, fixar, preservar o instante numa perfeição incólume, como se o movimento ou a sequência perdessem a mutabilidade. O seu mitiscismo dos momentos imóveis iria adquirir autoridade junto de um outro poeta, Tennyson. E, de maneira geral, as suas qualidades pictóricas agradaram fortemente quase todos os victorianos.

Segundo Jorge de Sena[5], fazendo referência à poesia de Keats, «...a beleza é essa a unidade da comtemplação e da realização, que leva em si o melhor de nós, aquilo que, connosco e a toda a hora, não poderíamos ser. É essa a única verdade, e não precisamos, para viver, de saber mais nada. O mal e a morte são a recusa a ou o termo desse convívio que, através dos sentidos e da apreensão intelectual, nos é dado ter com os seres que são o nosso mundo.»; numa passagem mais adiante o autor continua, «..., tudo isto, quer nas meditações líricas que são as grandes odes, quer nas «histórias» medievalizantes, quer nos versos de Endymion ou de Hyperion, quer na estrutura sintética dos sonetos, é condensado numa expressão pletórica de imagens e de evocações, extremamente visual, em que a solidez da metrificação e a eloquência dignified do tom palpitam de uma melancolia que nunca desce de ser expressão do abismo entre a idealidade do poeta [...] e a vida comum.»

As odes de Keats, que se encontram entre os melhores poemas curtos do século, mostram a sua grandeza numa completa assimilação da linguagem e do pensamento. Tudo nelas é proporcionado, integrado, transformado; até a mínima sugestão tem um significado.

Controversa é a epopeia incompleta, em verso branco, intitulada Hyperion. Este poema afirma-se, por vezes, que trai o efeito estultificador do seu modelo miltoniano, uma influência a que Keats tentou resistir numa nova tentativa, agora com o nome The Fall of Hyperion. Mas, se o poema não resulta, os motivos são mais profundos. Os deuses gregos sublimamente simples de Keats aspiram a uma impossibilidade: uma visão totalmente experimentada que evoque a forma, mas apague o poeta.

A melhor visão que Keats consegui realizar foi aquela que diz respeito ao poema gótico intitulado The Eve of St. Agnes, um poema narrativo, em estrofes spenserianas. Keats envolve brilhantemente a sua visão em detalhes vivamente sensuais embora comedidos, focados em momentos psicológicos, mas também dilatados para explorar o espírito. Tudo se baseia na oposição do romance gótico entre o amor e o ódio familiares, como também entre o calor erótico e o frio da moralidade ascética ou insensível, mas a intensidade de Keats é nova, assim como a subtileza da textura.

A organização da narrativa é igualmente impressionante, como quando se usam as imagens de cercadura para aumentar a sensação de santuário perigosamente desprotegido. Afirma-se que esse amadurecimento de Keats reteve «uma parte da sua inicial «vulgaridade»; mas este poema pelo menos é uma obra-prima de tacto.».[6]

A sua capacidade para a negatividade, permitiu-lhe elaborar um dos melhores poemas sobre a rendição sexual da literatura inglesa, pois se a Humanidade for realmente divina, parece mesmo que um tema menor ou ambíguo pode adquirir um novo significado.
As Imagens Românticas

Com o Romantismo surgiu uma nova tendência dentro da literatura. Essa no tendência possuía as suas próprias características, tendo como uma das fundamentais a Imagem.

Os autores românticos deram um novo ênfase à imagem, pois elas sempre constituíram elementos da literatura: sempre se recorreu à representação de ideias ou sentimentos através de coisas, como um dispositivo auxiliar. Mas com o romantismo tornavam-se na articulação principal. Isto nota-se muito na poesia naturista romântica, em contraste com o Iluminismo, em que as emoções encontram uma expressão directa distinta e as imagens têm uma função muito subsidiária.

A imaginação estava agora, com o romantismo, livre para se combinar com os aspectos naturais. O seu modo de actuar sobre os fenómenos da Natureza, as suas consequências, davam agora estrutura a poemas inteiros. Já não é uma questão de indicar e depois ilustrar analogias naturais, mas sim descobrir essas mesmas analogias através de um processo imaginativo, sendo a estrutura orgânica o objectivo e o critério.

Muitas vezes a imaginação demorava-se na paisagem, perseguindo fugitivos significados latentes, onde meditações do poeta ocupavam grande parte das imagens inerentes ao poema. Nessas meditações os significados deviam surgir espontaneamente, por isso têm que surgir na forma de metáforas naturais, significando isto que: os veículos e os teores das metáforas devem parecer naturalmente semelhantes. Não existe o lugar para comparações inteligentemente disjuntivas, à maneira dos poetas metafísicos, pois entre os românticos as personificações da poesia inicial descem à própria natureza. A mesma paisagem não só proporciona os mesmos temas como também a meditação com as imagens do discurso.

O poema de Keats intitulado To Autumn, a última das suas odes mais importantes, é um bom exemplo da interacção da imaginação com a Natureza. A personificação não é principalmente tradicional, embora Keats tenha estudado representações visuais do Outono no espelho da arte. Mas, em vez de generalizar a personificação, existe uma meditação sobre poses e detalhes imobilizados, detalhes esses em que a Natureza parece investida de misterioso significado, sendo a imaginação uma mistura entre o natural e o humano. Ao criar estas imagens, Keats descobre não só a relutância em deslocar-se até à colheita completa da morte, mas também na própria postura da estação em relação ao tempo.

Este método de meditação em sintonia com a Natureza foi continuado pelos românticos posteriores, mas não sem críticas. A poesia de Keats, por exemplo, deu origem a uma crítica de Ruskin[7]. Este autor referiu que existia uma «falácia patética» no retrato da Natureza. Ruskin entendia que um sentimento tão forte poderia genuinamente atribuir qualidades humanas à Natureza.

As imagens tornam-se estrategicamente centrais, o que não acontecia no século XVII. Agora as imagens não têm que se confinar à apertada malha da lógica, pois libertadas para acompanhar a imaginação, seriam apenas muito ligeiramente peadas pelo julgamento poético ou pela vigilância da introspecção. Os poemas começaram a seguir mais a vertente e a sequência da fantasia, do que a sequência do argumento, e se a isto se juntar a deliberada irracionalidade dos românticos, não será de surpreender que as imagens nem sempre parecem coerentes, pois elas, além disso, são geralmente difíceis, em especial quando se referem aos espaços obscuros da psique.

Quando o poeta romântico pretendia expressar emoções, não convencionais, recorria muito à fantasia obscura, que assim constituía um recurso comum. No entanto, as imagens românticas obedecem a uma lógica poética, que pode, até certo ponto, ser entendida como uma ideologia anti-iluminista.

As imagens românticas são desenvolvidas de forma elaborada, que adquirem, em alguns casos, um grande significado, que é o significado abstracto dos símbolos. Provavelmente todos os símbolos principais estão relacionados, de forma relativa e directa, como sucede na femme fatale do poema de Keats La Belle Damme sans Merci, no entanto, esta característica era pouco conhecida na altura. Efectivamente, uma das características do simbolismo romântico irracional consistia em poder ser “inocente” através da separação da consciência, pois grande parte da sua importância residia na possibilidade de metamorfose que provinha de novas afirmações dos autores individuais. Keats foi o primeiro a criar um reino de arte, embora um reino de arte totalmente consciente.

Outras imagens românticas derivam da natureza sublime, onde imagens de luz e obscuridade expandiam a mente, enquanto se abria sobre ela um abismo sem fundo. tal acontecia também com as imagens de horrores fatais, que podem implicar muito mais que o famoso “desejo de morte”. Os românticos transplantaram a «medonha vegetação do jardim de Prosperpina de Spenser, e os vapores venenosos pairam sobre os jardins de The Sensitive Plant de Shelley»[8].

Os românticos gostavam de chamar sonhos aos seus poemas, e, de facto, podem encontrar-se semelhanças com os sonhos em toda a sua obra, pois como já vimos, utilizaram imagens como meios primários de expressão. Um bom exemplo disso é o já referido poema de Keats Endymion.

Muitos dos românticos ainda acrescentariam que os poemas em semelhança aos sonhos eram pluralistas, ou ambíguos para o intérprete. Não há dúvida de que os poemas românticos, de uma maneira geral, suficientemente multifacetados para provocarem opiniões e interpretações diferentes. Mas as ambiguidades literárias são diferentes das dos sonhos, pois estão sujeitas a uma maior escolha.

Apesar de todas as imagens, a mais significativa para a literatura subsequente é a do próprio poeta. Os poetas idealizados figuram proeminentemente na poesia romântica e chegam a ter certas semelhanças, pois constituem um novo tipo simbólico. O poeta romântico é um intruso alienado, mas apesar da sua solidão, é um ser expressivo e cultiva abertamente a sua auto-absorvida sensibilidade, deleitando-se positivamente com ela. No entanto, a exploração da sensibilidade pelos românticos podia por vezes ser prematura, insensata e algumas vezes mórbida.

É discutível que tenham espalhado sementes de decadência, e a sua associação de erotismo com a morte e com o horror também tem um valor muito dúbio, mesmo que a sua combinação de prazer e de sofrimento tenham parecido menos natural. Com o alargamento do domínio poético por parte dos românticos, o poder expressivo aumentou grandemente. Paradoxalmente, a capacidade artística dos românticos parece mais discutível.

Por outro lado há quem afirme que a poesia de Keats ficou um pouco à margem do Romantismo inglês, relacionando-se mais com os movimentos poéticos do século XX[9]. A sua poesia subjectivista e individualista, não recusa a realidade circundante, embora a contemple como símbolo de uma “irrealidade” transcendente que lembra bastante a do posterior movimento simbolista.

As suas obras tendem para a procura de uma dicção poética aperfeiçoada até à pureza, e envolvida por um certo mistério simbólico que contribuiu para a transfiguração de Keats como poeta inadaptado e incompreendido pela sociedade da sua época. Essa sua tentativa para a perfeição e pureza leva-nos de novo ao poema Endymion, onde existe o modelo romântico da procura da beleza através da alma. A alegoria conforma o sentido de todo o poema e tanto o exotismo, como inclusivamente o barroquismo onírico de que Keats faz gala, não nascem senão da necessidade de expressar uma “realidade-outra” que o poeta ainda não soube seleccionar poeticamente.

Sentimentalmente sobrecarregado até à afectação, este poema lança o jovem poeta na procura de uma forma de expressão que se perde no narrativismo, mas cujo sentido último vai dar forma ao característico lirismo keatsiano. De qualquer forma, embora Keats tenha feito do tema erótico um reflexo da vida humana como aspiração ao conhecimento, este poema reserva-se o direito de pertencer já a uma “meta-literatura” quase do século XX e de perfil quase “maldito”.

Keats foi, e apesar da resistência da crítica contemporânea à sua obra, o mais lúcido e também o mais moderno dos poetas românticos ingleses. A sua poesia, por vezes intensa e conceptual, possui a carga lírica suficiente para fazer desconfiar da sua pretensa asepsia poética, chegando a uma pureza que só anos mais tarde foi entendida, pois o Keats-poeta não tem junto a si o Keats-homem, antes o esconde, como a sua produção esconde toda a beleza da realidade circundante.

Por isso, Keats é o menos dos românticos dos poetas ingleses, o menos anedótico, e a sua poesia é a menos vitalista, visto que se despe do acessório formal e temático. Na obra de Keats está mais que uma ideia do mundo, ou até o mundo em si, no entanto, quando esse mundo surge, ele é dado como um mundo ultrapassado, idealizado, liberto de todas as suas circunstâncias. Um mundo, que sem dúvida, é experimentado como plenamente belo, ao qual parece confiar, mais que a sua própria voz, a expressão de si mesmo. Inimigo do empirismo, do racionalismo, do subjectivismo e de qualquer outro tipo de moralismo, estabelece assim as bases de uma poesia radicalmente inconformista e criadora de si mesma, e nunca recriadora de uma realidade ilusória.
Manuel A. Domingos
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